Noite do Vinil com Maria Bethânia
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Noite do Vinil com Maria Bethânia



Junto com a divulgação da Noite do Vinil, amanhã à noite no Relicário Bistrô, deixo com vocês este e-mail que recebi da amiga Aucilene Freitas. Deliciosa estória!

" Aqui, separando vinis da Bethânia para a próxima NOITE do VINIL (sexta, dia 11/06), encontro um xerox de uma matéria da revista “Violão e Guitarra Especial” de Bethânia, dentro do encarte do disco. Nele a história do desejo de Bethânia em falar, conhecer a Clarice Lispector. História de ídolos de nossos ídolos. Eu já a tinha lido, mas nem imaginava que ela estivesse guardada junto ao disco. A história? Essa:

Rodrigo Velloso presenteou o irmão Caetano com uma assinatura da revista Senhor, no final dos anos 50, sem imaginar o mundo que descortinaria para o irmão na Bahia. Nesta revista Caetano leu o famoso conto “A Legião Estrangeira” de Clarice Lispector. Apaixonado, mostrou o conto para Bethânia que não só gostou como passou a ler tudo que lhe caía às mãos que fosse de autoria de Clarice. Encantada, tão logo começou a apresentar-se em shows passou a incluir neles textos da escritora que, segundo dizem, eram momentos memoráveis e emocionantes.

Bethânia acalentava o sonho de conhecer Clarice, de conversar com ela, mas sua timidez aliada à idéia de que Clarice era uma pessoa estranha, uma mulher cheia de mistérios e que normalmente não falava com ninguém tornava esse desejo praticamente irrealizável. Mas ela não desistia e certa vez, ela e Caetano conseguiram o telefone da Clarice, através de alguns amigos e partiram juntos na deliciosa aventura de fazer contato com ela. Era noite. Silêncio e expectativa. Ousaram: discaram. Mas Bethânia não teve coragem de falar... Mas nem tudo estava perdido.

Ao saber da história do telefone, o diretor e amigo de Bethânia Fauzi Arap, que também era amigo de Clarice, contou para a escritora do sonho de Bethânia. Assim, numa tarde em que chegara ao teatro, vinda da praia, agitando os cabelos ainda úmidos, aguardando o momento de ensaiar foi que, como numa corroboração ao texto de Clarice que dizia: “não se estando distraído o telefone não toca e é preciso sair de casa para que a carta chegue.”.Foi neste momento de distração que Bethânia a viu. Estava sentada numa cadeira, com um texto nas mãos. Bethânia perdeu o chão. Queria falar mas a voz não saía. Seus olhos fitavam aquela figura sagrada. Não se disseram nada. Se olharam, somente.

Alguns segundos depois, Clarice entregou-lhe o texto e pediu que ela o lesse. Bethânia pegou o tesouro em suas mãos, começou a ler, mas estava pálida, tomada pela timidez, tinha sensações de desmaio. A tal ponto que a autora pensou que o texto não estava agradando. Percebendo a tensão que se instalara, Clarice sugeriu que Bethânia cantasse alguma coisa. Aliviada, ela correu para o piano e de improviso ofereceu uma música para a escritora.

Quando o show “Rosa dos Ventos”, que estava sendo ensaiado, estreou, Bethânia, agora já familiarizada, mandou convidar Clarice, embora não acreditasse que ela pudesse comparecer. Na noite de estréia, após ocorrido o show, os amigos se dirigiram ao camarim. Para chegar até ele, que ficava no subsolo, descia-se uma escada. Lá embaixo, Bethânia recebia as pessoas. Havia muita confusão, pessoas falavam ao mesmo tempo, muito burburinho, como sempre acontece nas estréias que são sucesso. Conta-se que, de repente, do topo da escada, uma voz forte fez com que todos silenciassem. Era Clarice Lispector dizendo: “Esse show não termina nunca, ele é eterno.” Depois, descendo as escadas ela abraçou Bethânia e definiu: “Faíscas no palco. Faíscas no palco.”.

Foi dessa maneira abençoada que “Rosa dos Ventos” surgiu e marcou uma geração que teve o privilégio de assistí-lo, no início dos anos 70. Eu, em minha meninice, lá na roça, sequer sonhava que estes "personagens" eistiam e coisas como estas aconteciam com elas. Mas este show foi gravado e ouvi, já não mais menina, suas canções e seus textos. Hoje o vinil deste show abrilhanta minha coleção.
E para terminar essa história meio mágica, como são seus personagens, deixo a letra da música, que ao piano, de improviso, Bethânia ofereceu para a grande Clarice Lispector:

“NÃO IDENTIFICADO”

Eu vou fazer uma canção pra ela
Uma canção singela, brasileira
Para lançar depois do carnaval

Eu vou fazer um ie-ie-ie romântico
Um anti-computador sentimental
Eu vou fazer uma canção de amor
Para gravar num disco voador

Minha canção dizendo tudo a ela
Que ainda estou sozinho, apaixonado
Para lançar no espaço sideral

Minha paixão há de brilhar na noite
No céu de uma cidade do interior.
Como um objeto não identificado
Eu vou fazer uma canção de amor...

(Caetano Veloso)"



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