Alexei, o inquilino
Política

Alexei, o inquilino



Quase posso afirmar que existem em cada casa (e até em apartamento) seres que convivem conosco sem “serem convidados”. Rápido, explico: não se trata de parentes, familiares, visitas indesejáveis nem tão pouco (como dizem os gozadores) de sogra e nem cunhado.
Brincadeiras à parte, refiro-me a moscas, mosquitos, baratas (argh!), lagartixas, formigas e até camundongos. Uma gama de insetos e animais invertebrados que sempre nos importunam.
Exemplos são muitos: se estamos saboreando um prato delicioso, eis que surge uma mosca (quase sempre uma) rondando o nosso prazer; se deixamos um doce, que acabamos de fazer, esfriando sobre a mesa num piscar de olhos está coberto de formigas. Desespero total!
Quer coisa pior do que tentar tirar uma soneca e ouvir a melodia desafinada de um mosquito em nossos ouvidos?
Sem contar com a rapidez da barata que chega e deixa, principalmente, nós – mulheres – frustradas e enojadas por não conseguirmos matá-la. Lagartixa, então (?!?) fica no canto da parede do quarto, como dona do pedaço, ameaçadora, tirando-nos o sono e sossego.
Confesso ter passado uma noite em claro, com porta do quarto fechada, à espera que alguém achasse e exterminasse um camundongo que vi desfilar em minha cozinha.
Mas, de todos estes relatos, o que mais me intranqüilizou até bem pouco tempo foi a chegada de um camaleão em meu quintal. Tal como fantasma, aparecia e se escondia. Vez por outra, era surpreendida por sua presença nefasta.
No pequeno cômodo da casa, onde são guardados objetos em desuso, ferramentas, vassouras, material de limpeza e outras quinquilharias, ele fez morada. Chegou, acomodou-se, instalou-se e tornou-se um verdadeiro inquilino.
Sabendo de sua existência passei a bater na porta da despensa quando lá precisava entrar. Ele afugentava. Quase acreditei que ele tinha mais medo de mim do que eu dele. Familiarizei-me com ele. Dei-lhe até um nome: Alexei. Passaram-se meses neste convívio quase amistoso.
Verão. Ida para a casa de veraneio. Confesso tê-lo tirado da memória.
De volta à cidade dirijo-me ao quarto dos fundos. Deparo-me com ele: grande, gordo e lépido.
Assustada agilizo uma ação de despejo. Ligo para o CCZ e, prontamente, um funcionário chega para resgatá-lo. Comunica-me que irá devolvê-lo ao seu habitat natural.
Saio de casa. Não gosto de despedidas.



Walnize Carvalho



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