A Era Russomano Ruy Fabiano
Política

A Era Russomano Ruy Fabiano



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São Paulo, a cidade brasileira que primeiro cedeu ao PT e que, por isso mesmo, mais a ele resistiu posteriormente, funciona como uma espécie de laboratório do futuro partidário brasileiro.
O PSDB, beneficiário por mais de uma década da rejeição paulista ao PT, está perdendo esse privilégio. O eleitorado parece também ter se cansado da alternativa tucana, depois de viver a experiência de ambas – a do PT e do PSDB.
O beneficiário desse vazio de expectativas está sendo o insignificante PRB, partido que tem na Igreja Universal do Reino de Deus, do controverso Bispo Macedo, seu sustentáculo (no sentido amplo do termo). Celso Russomano, um político de escasso currículo, vem mantendo confortável liderança nas pesquisas.
Estar à frente de duas máquinas partidárias – a federal e a estadual – indica que algo mais que o apoio financeiro e demagógico do Bispo Macedo o impulsiona. E esse algo mais é o desencanto da população. O PT sempre ostentou a preferência de um terço do eleitorado paulista. O PSDB tem outro terço.
O terço decisivo vem do eleitorado conservador, que nos últimos anos pendeu sempre para os tucanos, embora com eles tenha vínculos mais circunstanciais que ideológicos.
A apatia com que a oposição, na Era Lula, da qual Dilma é mera continuidade, tem se portado – inclusive diante de escândalos como o Mensalão – explica essa reviravolta do eleitor, que parece descrente de uma mudança efetiva dentro da equação PT x PSDB.
Quer algo novo e, mesmo fazendo uma aposta duvidosa – não há parâmetros, para dizer o mínimo, com que possa avaliar Russomano -, prefere arriscar a manter o círculo vicioso atual.
Se esse quadro servir de reflexão à oposição para 2014, será de grande valia. Pode servir para despertá-la.
A Era Lula oferece temas de imenso potencial para ser explorado.
No campo dos costumes, a gestão de Fernando Haddad no MEC, com seu kit gay e os sucessivos fracassos na realização do Enem, é um rico veio de equívocos.
No campo da segurança pública, há o jamais explorado vínculo do PT-Foro de São Paulo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), epicentro do tráfico de drogas no país, que imola nada menos que 50 mil brasileiros por ano, índice de guerra civil.
No campo da economia, há a redução do PIB e a evidência de que o país não tem, desde o Plano Real, um projeto para superar a crise internacional.
No campo da ética e dos bons costumes com a chamada coisa pública, desnecessário falar.
O Mensalão é autoexplicativo. Com tudo isso, o que fez a oposição? Contemplou tudo com olhos lassos. Não foi suficientemente crítica para ser percebida pelo eleitor. Nem muito menos ofereceu alternativas. No máximo, mostrou-se antipetista, mas não pró-país.
O eleitor paulistano sai na frente; quer romper esse círculo vicioso em que o país parece confinado e que o amarra à esquerda do espectro político. O que diferencia o PT do PSDB? É o que parece perguntar o paulistano. Não haverá nada diferente?
Essa talvez tenha sido a principal razão da surpreendente votação obtida por Marina Silva na eleição passada, não obstante ninguém tenha entendido exatamente o que propunha.
Russomano parece ser uma versão brega de Marina, uma busca desesperada de mudança, ainda que pela contramão.
Precipita-se quem imagina que 2014 será repeteco das três últimas eleições, com a reedição do fla x flu entre PT e PSDB. São Paulo pode estar sinalizando que algo está em curso e pode surpreender o meio político.
Ou as lideranças mais responsáveis abrem o olho e se reposicionam ou corremos o risco de entrar na Era Russomano, um país sob a liderança espiritual e política do Bispo Macedo.



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