Política
Luíza para presidente GUILHERME FIÚZA
O GloboLuíza foi ao Canadá para provar que a opinião pública brasileira virou geleia. A frase de um comercial imobiliário na Paraíba que se espalhou pelo Brasil inteiro é um divisor de águas na cultura de massa. Até então, uma mensagem insignificante podia ganhar dimensão pública por contágio. A grande novidade é que, depois de Luíza, o contágio não precisa mais de mensagem. Nem insignificante. Em questão de horas, um país inteiro passou a repetir essas seis palavras: "Menos Luíza, que está no Canadá". Qual era a charada? Nenhuma. Que código, que sentido subliminar, ou pelo menos que estranheza justificava tão irresistível propagação? Ninguém saberia responder. Mas nem seria preciso resposta, porque ninguém perguntava. O que explicava a repetição era a repetição. O espetáculo da inércia mental nunca tinha sido tão exuberante. Quase meio século atrás, outras seis palavras aparentemente sem sentido se espalharam pelo mundo: "Lucy in the sky with diamonds." A diferença é que John Lennon não estava tentando vender apartamento para emergentes que podem mandar a filha estudar no Canadá. Estava escrevendo um capítulo da contracultura - e Lucy teria despencado do céu em dois minutos se o seu único atrativo fosse uma virose no Twitter. Na época de Lucy, Luíza não seria nada. No Brasil de hoje, ela poderia ser presidente da República. O furacão Luíza veio expor, de forma quase cruel, a precariedade dos símbolos que o senso comum consagra. A menina real, Luíza Rabello, não tem nada com isso - ou melhor, não tinha. Agora terá, pela importância que o público passou a lhe atribuir a partir de... Nada. Circularam rumores de que Luíza estará na próxima edição do Big Brother. Se ela pensar grande, poderá ir direto para Brasília. E nem precisará de um padrinho popular, que repita seu nome exaustivamente aos quatro ventos. A internet já fez isso por ela, sem precisar de palanque, voz rouca, suor e lágrimas providenciais. Fora isso, no Brasil de 2012, os requisitos para se estar no BBB ou na Presidência da República são até parecidos. Na Presidência convém falar menos. E, se não tiver nada de relevante a dizer, não tem problema. Basta espalhar no Twitter que Luíza do Canadá é uma grande gestora, que o povo acredita. Mesmo se ela tiver sido apenas uma militante política com passagem opaca por cargos públicos, todos graças a indicações partidárias? Perfeitamente. Os fatos, hoje, são um detalhe. O que o senso comum respeita mesmo é a repetição. E não se preocupe, Luíza, se você gastar todo o seu primeiro ano de governo enxugando gelo do seu próprio caos administrativo. Mesmo se você bater o recorde de ministros demitidos por acusação de fraude. Aquela imagem da supergerente que sabia o que se passava em todos os ministérios serviu só para te eleger. Agora você é uma paraquedista, recém-chegada do Canadá, pronta para passar o país a limpo com o detergente da ética. Se a faxina bombar no Twitter, você pode até terminar o seu primeiro ano de mandato com aprovação recorde. Aí você poderá continuar amiga de todos esses ministros que você nomeou e tentou proteger, mesmo depois de acusados de garfar o país. Quando eles caírem de podres, elogie-os publicamente e mantenha as boquinhas com os grupos deles. Ninguém vai notar. "Fisiologismo" não tem a menor chance no Twitter. Enquanto Luíza prepara sua candidatura, poderá aprender um pouco observando o governo atual. Trata-se de um governo detalhista. Se a opinião pública acredita nas mensagens que se repetem - e isso já é uma mão na roda - por que não ir além, escolhendo as mensagens que ela deve repetir? Isso é muito importante, porque a imprensa livre, além de bisbilhoteira, se mete em assuntos demais, o que pode confundir a mensagem que o povo precisa ouvir. As manchetes dos últimos seis meses, totalmente descontroladas, quase puseram o governo popular no banco dos réus - com histórias soturnas de uso sistemático da máquina pública para engordar esquemas políticos. Mas os ideólogos do governo não descansarão enquanto não protegerem o país dessas linhas cruzadas da mídia livre. E Luíza está com sorte, porque acaba de ser lançada uma grande ideia, para ela anotar em seu caderno de campanha. Em discurso no Fórum Social Mundial, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, defendeu a criação de uma mídia para a classe C. "Toda essa gente que emerge ficará à mercê da ideologia disseminada pelos veículos de comunicação existentes?", questionou o ministro, conclamando o governo a "radicalizar a democracia" parindo uma mídia nova. A plateia exultou com a proposta governamental de organizar melhor o que a opinião pública deve assimilar, ou melhor, repetir. Os dias que se seguiram foram de grande excitação entre os companheiros. Todo mundo festejou a ideia. Menos Dilma, que estava em Cuba. GUILHERME FIÚZA é escritor.
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